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Pesquisa sobre IA e patrimônio impulsiona diálogo internacional e reflexões sobre cidades futuras

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O professor Walcler Mendes Junior, do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas (SOTEPP) e do Curso de Arquitetura e Urbanismo (Afya UNIMA), participou, entre os dias 21 e 23 de maio, da 12th International Conference on Social Sciences and Humanities, realizada na Universidade de Suzhou, na China.

Durante o evento, o docente apresentou a comunicação intitulada “Interactive Memory: paths to preserving architectural heritage in the digital age”, desenvolvida em parceria com a egressa Nathalia Peixoto, do curso de Arquitetura e Urbanismo (Afya UNIMA), e com a professora Juliana Michaello (PPGAU/UFAL).

O trabalho deriva de artigo publicado na revista Humanities and Social Sciences (DOI: https://doi.org/10.11648/j.hss.20261402.16) e tem origem no Trabalho de Conclusão de Curso da egressa, que aborda o uso de modelos virtuais para preservação do patrimônio arquitetônico em contextos digitais.

Segundo o professor, a participação no evento — com foco em tecnologias de Inteligência Artificial — possibilitou o contato com diferentes metodologias aplicadas à área. “A proposta da nossa comunicação foi apresentar o estado da arte no uso de ferramentas digitais voltadas à preservação e ao restauro do patrimônio edificado, destacando, como estudo de caso, a Catedral de Notre Dame, em Paris, cujo processo de reconstrução utilizou tecnologias de IA para garantir alta precisão na recuperação das estruturas danificadas após o incêndio de 2019”, destacou.

Observações sobre planejamento urbano em Beijing e Shanghai

Além da participação acadêmica, a experiência na China permitiu ao professor observar, sob a perspectiva do planejamento urbano, aspectos estruturais de duas das principais metrópoles do país: Beijing e Shanghai.

Em Beijing, chamou atenção o crescimento vertical nas áreas periféricas, associado a políticas públicas voltadas ao enfrentamento do déficit habitacional. De acordo com o relato, há forte atuação do Estado na regulação do mercado imobiliário, com medidas que buscam evitar a especulação. Outro destaque é o sistema de mobilidade urbana, baseado em redes integradas de metrô e trens que conectam eficientemente as áreas periféricas ao centro.

A cidade também se caracteriza pela organização urbana, com zoneamento bem definido, áreas verdes, qualidade de infraestrutura e preservação do patrimônio histórico. Monumentos como a Cidade Proibida, o Templo do Céu e a Grande Muralha contam com controle de acesso e políticas de conservação, garantindo a integridade dos conjuntos arquitetônicos.

Já Shanghai apresenta uma dinâmica urbana mais diversificada, com diferentes formas de ocupação do espaço. As áreas periféricas combinam características urbanas e rurais, sem a presença significativa de assentamentos precários em áreas de risco. Em comparação a Beijing, a cidade apresenta maior heterogeneidade e menor controle em espaços comerciais, embora permaneça altamente desenvolvida.

No campo tecnológico, Shanghai se destaca pelo uso cotidiano de soluções inovadoras, como robôs utilizados em serviços de entrega e atendimento. O skyline da região conhecida como The Bund, às margens do Rio Huangpu, evidencia uma paisagem urbana futurista, marcada por edifícios de grande escala e forte apelo visual. A cidade também mantém intensa vida cultural, com destaque para regiões como o antigo distrito francês, que concentra atividades noturnas, espaços de música e comércio.

Perspectivas de cooperação acadêmica

A experiência internacional também projeta desdobramentos futuros. Atualmente, o professor está se dedicando ao estudo do mandarim e planeja fortalecer parcerias com a instituição chinesa promotora do evento. A expectativa é ampliar a cooperação acadêmica em temas relacionados ao planejamento urbano, com foco nas soluções adotadas pelas cidades chinesas e sua aplicabilidade em outros contextos.